29 de setembro de 2009

Passando a poeira pra lá


Tá bom, tá bom, séculos sem dar o ar da graça pelo Blog.
Não vou nem tentar me desculpar, pois houveram muitas mudanças causadoras de minha ausência... é...deixe-me ver... desde JULHO?

Quando estiver de bem comigo mesma, o que não demora a ocorrer, explicarei. Saibam que estou em outra fase, mas não abandonei a Fabiana de antes, daqueles tempos, okay?







“Através de meus graves erros — que um dia eu talvez os possa mencionar sem me vangloriar deles — é que cheguei a poder amar. Até esta glorificação: eu amo o Nada.
A consciência de minha permanente queda me leva ao amor do Nada.
E desta queda é que começo a fazer minha vida.
Com pedras ruins levanto o horror, e com horror eu amo.
Não sei o que fazer de mim, já nascida, senão isto: Tu, Deus, que eu amo como quem cai no nada.”

Clarice Lispector.

18 de julho de 2009

"Não, eu não posso fazer isso com ela", pensou, pondo os pés para fora da pensão. "Tudo o que eu mais queria era a sua felicidade, só isso", não se conformando com a desgraça que causara em tão pouco tempo.


Nadia havia terminado o segundo ano de estágio no laboratório bem distante da pensão. Voltava, pela última vez, da tal clínica. Dobrando a esquina, tão distraída com as folhas de registro, tromba com aquela que seria sua mais nobre razão de viver: Ana.
Meio assustada e sem jeito, desculpa-se três vezes seguidas, mas logo percebe a risada da garota e vê que... está tudo bem.
A troca de olhares não foi suficiente. (Não) gostariam de se trombar por ali novamente.
No travesseiro, a ausência daquele sorriso envolvia ambas as partes. Vozes perturbavam seu sono. Desejava ao menos, saber o nome de quem roubava seus pensamentos. Um tanto otimista demais, Nadia sabia que aquela seria a face com quem deitaria todos os dias de seu futuro previsível. Buscava tão já, desejos intensos, risadas sem motivos, lembranças para os filhos... ESPERE! Ela nunca mais veria aquele sorriso. É, aquele sorriso era único, a palidez natural de sua pele e o sopro de sua risada estavam prestes a desabrocharem. Deu receio de partir daquele lugar por saber que assim ela não veria mesmo sua amada.







Sem mais por hoje. (L)

16 de julho de 2009

Amoródio!

Servida de muito chá, bolachas e guardanapos, ela rendia-se diante da família naquele último encontro. Era a despedida mais desejada em seus profundos pensamentos. Não aguentava mais tudo aquilo, toda aquela pressão moralista cheia de ironias e desconfiança por parte de alguns que moravam na mesma pensão.
Terminou de recolher os farelos de bolacha, tanto da mesa quanto do colo, e já estava contando os minutos para presenciar seu quarto pela última vez. Nenhum sorriso a convencia mais.
Trancou a porta e ficou presa por um instante quando chegou há três anos. Dentro de si era uma imensidão, e para o resto cabia seu mundinho particular. Entregou as chaves a Nadia e saiu silenciosamente pela recepção.
A corrida mais rápida que fez não permitiu espaço para saudade e lágrimas.

Precisou afastar-se do inferno que construíra com sua nova parceira. Era toda a felicidade indo embora feito água no ralo. Ela ainda vai se recompor, eu garanto.





(continua, algum dia)

12 de julho de 2009

Pessoas são bichos


Tanta gente te conhece por cortinas que nunca deveriam ser abertas, sabia?
Pensei muito antes de postar aqui hoje, afinal quem verá toda essa baboseira derretida não deixa de ser pessoa. Mas, se quiser, continue a avaliar você mesmo linhas abaixo. (desculpe se a realidade é tão crua)



É um tanto quanto absurdo pensarmos se as pessoas que nos rodeiam fazem parte de nossos dias como nossa roupa, nosso relógio, nosso sutiã ou qualquer outra porcaria que você use e não sai de você o dia todo. Elas parecem nos acompanhar, auxiliar, morrer por nós, mas parecer não é e nunca será ser.
É triste? É muito forte para você?
Isso quebra mais meu coração, pois enxergo isso há semanas, meses...
Embora toda garota tenha sua melhor amiga, todo cachorro confie essencialmente em seu dono, todo bom marido não perca os velhos parceiros de cerveja, nada disso exclui a possibilidade de estar intensamente sozinho.

Não sei exatamente, mas é tão difícil confiar em alguém. É como uma maratona quilométrica que nunca aparece a faixa de chegada, ou seja, por mais que tente, não terá um ser permanente ao seu lado.

(Um dia desses querendo libertar-me da Fabiana que ele conheceu, acabei com tudo, estraguei o único confidente que tinha. O momento que passei está a cada dia deixando mais marcas de que nada ocorre por acaso.)



Ainda presencio bichos que estão a espera da nossa morte, de nossa desgraça. Para eles, terá o momento do 'bote'. Para nós, alertas não nos faltam. O que falta é enxergar.
Até onde vai a trajetória humana em pontes finas de conhecimento e liberdade?

Quero que você acorde para o mundo!
E se não for agora, aguarde o príncipe encantando e será feliz para sempre, viu? ¬¬

25 de junho de 2009

Eu digo

"Conversas! Assim teu cérebro corresponde absurdamente a teus incansáveis sonhos."

Era ontem. Exatamente no dia anterior. Fiquei a rodear as ideias, os ares e àquelas pessoas que passavam por ali, bem longe, que quase não enxergava com tanto tumulto correspondente ao dia de prova. Que tantos pré-cursores de universidade faziam no mesmo lugar que eu? Ou melhor, que ela?


Deixa para outro canto esse assunto...


Hoje quero expor com um belo sorriso e sentir-me inspiradora em frente à jaboticabeira da vovó. É, isso mesmo. Mas, espere... jaboticabeira? sorriso? avó?
Série completa de que isso não vai dar certo. Não para mim. Contudo, seja com sol ou chuva, não existe local mais romântico e mais místico. E, a melhor parte é quando aquela imensidão de pontos pretos, feito pupilas, te devoram no mesmo tempo em que olhas para o gigantesco azul celeste (estando a desaparecer com a escuridão da noite), com a mesma intenção devoradora. Digam lá que não é linda!? Pois foi algum tanto que marcou a infância de Teca.
Teca? É. Um de meus apelidos que vovó não faz questão de esconder. Coisas de família...

O final de tarde era todo meu e não valia a pena dizer mais nada.
Era encantador quando mamãe não podia cuidar de mim em determinado final de semana e eu, de praxe, ia pra casa de vovó. Mas esse "ir" era raramente atraído pelo " vem, temos que voltar". Sutilmente deixava os donos da casa em seus afazeres normais e ia toda alegre, pra perto das jaboticabas. Como aquilo me fascinava! Parecia ser tudo que tinha, tudo que desejava durante a semana.

Expressar o fascínio por essa tal árvore é mostrar-lhes não somente a árvore, mas como a menina que aconchegava-se ao partir para aquele fundo de quintal; era o complemento do dia triste que passara, da bronca injusta que levara, do pontapé do amiguinho de escola e até mesmo dos beliscões da mamãe estressada.



Tudo isso, apenas Teca sente. Apenas Teca pode (re)viver.