12 de julho de 2009

Pessoas são bichos


Tanta gente te conhece por cortinas que nunca deveriam ser abertas, sabia?
Pensei muito antes de postar aqui hoje, afinal quem verá toda essa baboseira derretida não deixa de ser pessoa. Mas, se quiser, continue a avaliar você mesmo linhas abaixo. (desculpe se a realidade é tão crua)



É um tanto quanto absurdo pensarmos se as pessoas que nos rodeiam fazem parte de nossos dias como nossa roupa, nosso relógio, nosso sutiã ou qualquer outra porcaria que você use e não sai de você o dia todo. Elas parecem nos acompanhar, auxiliar, morrer por nós, mas parecer não é e nunca será ser.
É triste? É muito forte para você?
Isso quebra mais meu coração, pois enxergo isso há semanas, meses...
Embora toda garota tenha sua melhor amiga, todo cachorro confie essencialmente em seu dono, todo bom marido não perca os velhos parceiros de cerveja, nada disso exclui a possibilidade de estar intensamente sozinho.

Não sei exatamente, mas é tão difícil confiar em alguém. É como uma maratona quilométrica que nunca aparece a faixa de chegada, ou seja, por mais que tente, não terá um ser permanente ao seu lado.

(Um dia desses querendo libertar-me da Fabiana que ele conheceu, acabei com tudo, estraguei o único confidente que tinha. O momento que passei está a cada dia deixando mais marcas de que nada ocorre por acaso.)



Ainda presencio bichos que estão a espera da nossa morte, de nossa desgraça. Para eles, terá o momento do 'bote'. Para nós, alertas não nos faltam. O que falta é enxergar.
Até onde vai a trajetória humana em pontes finas de conhecimento e liberdade?

Quero que você acorde para o mundo!
E se não for agora, aguarde o príncipe encantando e será feliz para sempre, viu? ¬¬

25 de junho de 2009

Eu digo

"Conversas! Assim teu cérebro corresponde absurdamente a teus incansáveis sonhos."

Era ontem. Exatamente no dia anterior. Fiquei a rodear as ideias, os ares e àquelas pessoas que passavam por ali, bem longe, que quase não enxergava com tanto tumulto correspondente ao dia de prova. Que tantos pré-cursores de universidade faziam no mesmo lugar que eu? Ou melhor, que ela?


Deixa para outro canto esse assunto...


Hoje quero expor com um belo sorriso e sentir-me inspiradora em frente à jaboticabeira da vovó. É, isso mesmo. Mas, espere... jaboticabeira? sorriso? avó?
Série completa de que isso não vai dar certo. Não para mim. Contudo, seja com sol ou chuva, não existe local mais romântico e mais místico. E, a melhor parte é quando aquela imensidão de pontos pretos, feito pupilas, te devoram no mesmo tempo em que olhas para o gigantesco azul celeste (estando a desaparecer com a escuridão da noite), com a mesma intenção devoradora. Digam lá que não é linda!? Pois foi algum tanto que marcou a infância de Teca.
Teca? É. Um de meus apelidos que vovó não faz questão de esconder. Coisas de família...

O final de tarde era todo meu e não valia a pena dizer mais nada.
Era encantador quando mamãe não podia cuidar de mim em determinado final de semana e eu, de praxe, ia pra casa de vovó. Mas esse "ir" era raramente atraído pelo " vem, temos que voltar". Sutilmente deixava os donos da casa em seus afazeres normais e ia toda alegre, pra perto das jaboticabas. Como aquilo me fascinava! Parecia ser tudo que tinha, tudo que desejava durante a semana.

Expressar o fascínio por essa tal árvore é mostrar-lhes não somente a árvore, mas como a menina que aconchegava-se ao partir para aquele fundo de quintal; era o complemento do dia triste que passara, da bronca injusta que levara, do pontapé do amiguinho de escola e até mesmo dos beliscões da mamãe estressada.



Tudo isso, apenas Teca sente. Apenas Teca pode (re)viver.

24 de maio de 2009

O que eu estou fazendo?



Deficiente é aquele que não consegue modificar sua vida, aceitando as imposições de outras pessoas ou da sociedade em que vive, sem ter consciência de que é dono do seu destino.
Louco é quem não procura ser feliz com o que possui.
Surdo é aquele que não tem tempo de ouvir um desabafo de um amigo, ou o apelo de um irmão, pois está sempre apressado para o trabalho e quer garantir seus tostões no fim do mês.
Mudo é aquele que não consegue falar o que sente e se esconde por trás da máscara da hipocrisia.

Que o mundo acelere pelas cabeças dos cegos de visão, pois os cegos de cérebro ( O.Õ) já me bastam!



Dedicated to Temprarthur.

:)

23 de abril de 2009

Enquanto o mundo explode

A engenharia cai sobre as pedras
Um curupira já tem o seu tênis importado
Não conseguimos acompanhar o motor da história
Mas somos batizados pelo batuque
E apreciamos a agricultura celeste.

Mas enqunanto o mundo explode
Nós dormimos nos silêncios do bairro
Fechando os olhos e mordendo os lábios.

Sinto vontade de fazer muita coisa...




12 de abril de 2009

Onde é que, no olhar da criança, começa o céu e acaba a terra?

Falando sobre a crise financeira que assola o mundo...

US$ 15 trilhões evaporados em questão de poucos dias, levando consigo imensas corporações, grandes bancos e tradicionais fábricas. E deixando para trás, em meio às frias estatísticas, as demissões em massa, o desemprego, a fome, o desespero, as lágrimas. Uma crise que não assolou a periferia, mas o coração do império.
As artimanhas sutis do capital procuram se refazer. Dizem - os economistas, as corporações transnacionais e os detentoras do poder - que o capitalismo vive de crises, e que esta é mais uma crise cíclica. Tentarão nos empurrar mais do mesmo, mais consumo, mais conflitos, mais individualismo. Porém, a crise atual é terminal! O desafio não é remediar o que não tem conserto, mas buscar novas alternativas.


O sistema atual, regido pelo capital e pelas leis de mercado, que, em sua natureza, é voraz, acumulador, depredador do meio ambiente, criador de desigualdades e sem sentido de solidariedade, atesta sua própria falência. Um sistema onde a cada quatro minutos uma pessoa perde a visão, em decorrência da carência de vitamina A, declara seu próprio fracasso. Um sistema onde a cada cinco segundos uma criança com menos de cinco anos morre de fome ou desnutrição, atesta a sua própria falência.Um sistema que criou desumanos sofrimentos e gritantes desigualdades.


O sistema vigente, que tem como pilar um individualismo avassalador, demonstrou-se incapaz de assegurar o bem-estar da humanidade. O individualismo que se revela na linguagem cotidiana: o meu emprego, o meu salário, a minha casa, o meu carro, a minha família...
Ninguém é levado a construir algo em comum, onde a competição, o acúmulo e a ostentação predominam em detrimento da solidariedade, da caridade e da compaixão.
Esse mesmo sistema faz com que as crianças aprendam tão cedo a conjugar o verbo comprar e desconhecer o que seja compartilhar.
O consumismo inconsequente e desenfreado cultua tanto os bens materiais, que associa o produto a um conceito de felicidade.

Por longas décadas, esse sistema alega não possuir recursos para promover a educação, a saúde e para aplacar a fome mundial, mas gasta tanto com guerras, conflitos e com a indústria bélica; se mostra capaz de mobilizar em poucas horas três trilhões de dólares para socorrer bancos, montadoras e corretoras, atestando seu próprio fracasso terminal.



Os limites do capitalismo são os limites da Terra.
Já encostamos nestes limites, tanto da Terra quanto do capitalismo.

Não podemos mais prosseguir com a perversa lógica do capital, baseada no acúmulo e no desperdício: "Quem não tem quer; quem tem quer mais; quem tem mais diz que nunca é suficiente."


Um único sopro,
uma única alma,
uma mesma esperança!




O texto se baseia em palestra proferida por Leonardo Boff, durante o Fórum Social Mundial. Belém, Pará, janeiro de 2009.
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